Mulher é condenada a dois anos de prisão por tirar véu islâmico em público


Reprodução/Shutterstock Presidente do Irã afirma que uso de véu islâmico será revisto, uma vez que "não é dever da polícia impor regras religiosas"
Promotor da capital Teerã, Abbas Jafari Dolatabadi, disse que a mulher “incentivou a corrupção moral com seu ato”; ele criticou a sentença, afirmando que pressionaria a penalidade completa de 2 anos sem liberdade

 Uma mulher foi condenada a dois anos de prisão após retirar seu véu islâmico, o chamado hijab , em protesto nas ruas do Irã. Segundo o promotor da capital iraniana Teerã, Abbas Jafari Dolatabadi, ela teria “incentivado a corrupção moral com seu ato”.

Em entrevista ao Mizan Online , o promotor afirmou que a mulher, que não teve a identidade revelada, deve ficar três meses presa, sem liberdade condicional, mas ainda pode recorrer ao veredito. Criticando a “natureza leve” da sentença, Dolatabadi afirmou que pressionaria a penalidade completa de dois anos sem liberdade devido à retirada do véu islâmico .

O que diz a lei iraniana?

Desde o final de dezembro de 2017, mais de 30 mulheres iranianas foram presas pela remoção pública de seus véus em oposição à lei, que está em vigor desde a Revolução Islâmica de 1979, com o decreto de que todas as mulheres – sejam elas iranianas, estrangeiras, muçulmanas ou não muçulmanas–, devem estar cobertas em todos os ambientes públicos.

Entretanto, para as autoridades islâmicas, o zelo para com o uso do hijab em Teerã tem diminuído nos últimos tempos, uma vez que as mulheres passaram a usar panos mais leves, que deixam os cabelos à mostra, além de dirigirem com os véus estendidos nos ombros, o que pode condená-las a dois meses de prisão e ao pagamento de uma multa de R$ 81.

 “Não aceitaremos mais esse tipo de comportamento. Mulheres ‘socialmente rebeldes’, que permanecem questionando e quebrando as regras do véu islâmico serão proibidas de dirigir. Devemos agir com rigor”, disse Dolatabadi.

A polícia acredita que as mulheres foram encorajadas a tirar seus lenços brancos, principalmente nas quartas-feiras, devido ao apoio de redes televisivas de idioma Farsi, que adotaram a campanha contra a imposição do uso do hijab . Os oficiais ressaltam que iranianas que protestam contra o lenço podem enfrentar até 10 anos de prisão por “incitar à prostituição”.

 Segundo o presidente do Irã, Hassan Rouhani, que chegou ao poder em 2013, uma posição mais moderada acerca do uso do véu islâmico será proposta, afirmando que “não é tarefa da polícia impor regras religiosas , como essas que forçam as mulheres a cobrirem seus cabelos”.

Redação com Último Segundo – iG 

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