Arquivos digitalizados do Museu Nacional poderão ser replicados em 3D


Enquanto o patrimônio mundial que era abrigado no Museu Nacional do Rio de Janeiro virou fuligem, uma pequena parte do acervo continua preservada. Ao menos, na forma digital. Como resultado de um trabalho de uma década, cerca de 300 peças foram escaneadas em 3D ou por equipamentos de imagem utilizados pela medicina, como tomógrafos. Entre elas, o crânio de Luzia, que se acredita ser o fóssil humano mais antigo já encontrado nas Américas, com 11 mil anos estimados. Embora não substituam os originais, os arquivos digitalizados, que podem, inclusive, ser impressos tridimensionalmente, resguardam a memória de uma instituição consumida pelas chamas há uma semana.

Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, e idealizado pelo pesquisador Sergio Alex Kungland de Azevedo, o projeto Geração de Imagens Digitais das Coleções do Museu Nacional teve início em 2007, com participação de Jorge Lopes, pioneiro no uso de prototipagem rápida para modelos tridimensionais no Brasil. O designer, que coordena o Núcleo de Experimentação Tridimensional da PUC-Rio, tem trabalhos de impressão 3D na coleção permanente do Museu de Ciências de Londres e, como colaborador do Museu Nacional, inovou há 11 anos, levando essa tecnologia à instituição carioca com objetivo de digitalizar as coleções de paleontologia e arqueologia.

O projeto do INT no Museu Nacional resultou na criação de arquivos virtuais tridimensionais de múmias e fósseis de dinossauros expostos na instituição. Para reconstituir a peça, os dados são enviados a uma máquina de prototipagem, que imprime as réplicas exatamente como os originais. De acordo com Lopes, por sorte, duas dessas máquinas seriam transportadas às instalações do museu na semana do incêndio, mas acabaram ficando na PUC-Rio. Por outro lado, o pesquisador perdeu, na tragédia, um escâner a laser que pertencia a ele e estava sendo usado na digitalização do acervo da Quinta da Boa Vista. “Um equipamento caríssimo. Mas isso é o de menos. Infelizmente, o trabalho que estava sendo feito lá, de digitalização das imagens, também se perdeu.”

Fonte: PB Agora

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